Dossiê: Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2025 (Associação Nacional de Travestis e Transexuais, 2026)

Instituição/Órgão
Âmbito
Ano

80 pessoas trans foram assassinadas em 2025.

  • 77 vítimas eram travestis e mulheres trans/transexuais
  • 3 eram homens trans e pessoas transmasculinas

Entre 2023 e 2025, os assassinatos de pessoas trans no Brasil diminuíram 34%: a maior queda já registrada na série histórica.

A queda nos números não indica melhora real para mulheres trans e travestis no Brasil. A redução aparente dos assassinatos em 2025 reflete subnotificação, invisibilização da violência e ausência de dados pelo Estado, e não avanços em direitos, proteção ou cidadania da população trans.

Os casos oscilaram ao longo do ano, com queda no primeiro semestre e picos no segundo:


A violência contra pessoas trans no Brasil atinge majoritariamente travestis e mulheres trans, que concentraram 97% dos assassinatos entre 2017 e 2025, evidenciando o transfeminicídio como padrão dessa letalidade:

Perfil das vítimas por idade (%):

  • 13 a 17 – 2%
  • 18 a 29 – 54%
  • 30 a 39 – 28%
  • 40 a 49 – 14%
  • 50 a 59 – 2%
  • 60 a 69 – 0%

Perfil das vítimas por raça e etnia (%):

  • Negros (pretos e pardos) – 70%
  • Brancos – 26%
  • Indígenas – 4%

A maioria dos assassinatos foi cometida com armas de fogo, seguida por armas brancas e espancamentos, revelando padrões de execução e violência extrema, frequentemente marcados por tortura e crueldade:

Os dados evidenciam que racismo e transfobia estruturam a violência contra a população trans: entre os casos com identificação racial, a maioria das vítimas é negra. Entre 2017 e 2025, pessoas trans negras concentraram, em média, 77% dos assassinatos:

Dois estados lideram o ranking da violência letal contra pessoas trans:

  • Ceará e Minas Gerais, com 8 assassinatos cada.

Os dez estados que mais assassinaram pessoas trans entre 2027 e 2025:

Outros resultados importantes:

  • A maioria dos assassinatos de pessoas trans em 2025 ocorreu em espaços públicos (62,5%).
  • Os crimes se concentram majoritariamente à noite e na madrugada, períodos de maior vulnerabilidade e menor circulação social.
  • A maioria dos casos não tem autoria identificada, indicando impunidade; quando há, os suspeitos geralmente são pessoas próximas às vítimas.
  • Em 2025, foram registradas 75 tentativas de homicídio contra travestis e mulheres trans, alta de 32% em relação a 2024.

Desde 2017, ano em que a ANTRA começou a sistematizar esses dados, 1.261 vidas trans foram interrompidas pela violência no Brasil.

Sobre a pesquisa

Lançada em janeiro de 2026, a 9ª edição do dossiê “Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras”, elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), traz à tona com dados inéditos atualizados de 2025 sobre a violência contra pessoas trans no Brasil. No ano de 2025, foram registradas 80 mortes de pessoas trans no país, das quais 77 eram travestis ou mulheres trans/transexuais. Entre 2023 e 2025, os assassinatos de pessoas trans no Brasil diminuíram 34%: a maior queda já registrada na série histórica.

A pesquisa da ANTRA é revisada anualmente para garantir maior qualidade e confiabilidade dos dados. O monitoramento combina análises quantitativas e qualitativas, com base em estatística descritiva, e reúne informações de fontes primárias (registros oficiais, justiça e mídia) e secundárias (ativistas, organizações, redes sociais e testemunhos), suprindo lacunas geradas pela subnotificação estatal e pela ausência de dados demográficos sobre a população trans.

Saiba mais sobre a pesquisa