Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre violência (Instituto Patrícia Galvão/Locomotiva, 2026)

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Pesquisa mostra que quase 8 em cada 10 mulheres já sofreram algum tipo de violência e que 98% adotam estratégias para reduzir riscos no dia a dia; para 78%, propostas de enfrentamento à violência contra mulheres nas ruas e no transporte público influenciam a decisão de voto nas próximas eleições.

O medo da violência faz parte da vida cotidiana da maioria dos brasileiros e brasileiras, mas afeta as mulheres de maneira ainda mais intensa, de acordo com a pesquisa de opinião “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência”, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber. 

94% das mulheres afirmam se sentir inseguras diante da violência no dia a dia, contra 84% dos homens. Nos deslocamentos pela cidade, a diferença também aparece, embora seja menor: 94% das mulheres e 90% dos homens dizem sentir medo da violência nessas situações. Para a população, as mulheres também são percebidas como mais vulneráveis do que os homens em diversas formas de violência, principalmente doméstica, sexual, psicológica e física.

Violência faz parte da experiência de quase 8 em cada 10 mulheres

Quase 8 em cada 10 mulheres (78%) afirmam já ter sofrido pelo menos um tipo de violência. Entre as diferentes formas investigadas, a violência psicológica aparece como a mais declarada.

O medo também atravessa diferentes dimensões da vida das brasileiras entrevistadas. Situações como furtos e roubos fazem parte de um temor praticamente generalizado, mas a preocupação se estende a violências dirigidas especificamente às mulheres. A violência doméstica, por exemplo, é hoje temida por 6 em cada 10 brasileiras.

A sensação de insegurança acompanha as mulheres mesmo quando elas mudam de ambiente. Os espaços de lazer e o transporte público estão entre os locais em que elas se sentem menos protegidas.

41% das mulheres não se sentem nada seguras em bares, festas e baladas e 42% afirmam não se sentir nada seguras em pontos de ônibus e estações. Dentro dos transportes públicos, 33% também dizem não se sentir nada seguras.

Medo restringe lazer, mobilidade, trabalho e estudo

A insegurança modifica comportamentos e limita escolhas. Para evitar situações de violência, 62% das mulheres já mudaram hábitos de lazer e 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam. Mais da metade (56%) já preferiu utilizar algum meio de transporte em vez de ir a pé, mesmo quando o destino era próximo.

O impacto chega também a decisões relacionadas à vida profissional e acadêmica: 45% das mulheres afirmam já ter deixado de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo por causa do medo da violência. Além disso, 44% já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.

Quase todas as mulheres adotam estratégias para se proteger

Diante desse cenário, 98% das brasileiras entrevistadas afirmam adotar ao menos uma das medidas pesquisadas no dia a dia para reduzir o risco de sofrer violência.

Evitar determinados locais é a estratégia mais comum, citada por 90% das mulheres. Outras medidas também revelam o grau de vigilância incorporado à rotina: 88% evitam compartilhar informações pessoais ou sua localização nas redes sociais; 84% evitam usar o celular na rua; 83% avisam alguém sobre seus deslocamentos e horários; e 83% evitam sair à noite.

A preocupação também aparece na relação das mulheres com serviços financeiros e formas de deslocamento. 80% evitam utilizar aplicativos bancários no celular quando estão na rua, 77% compartilham sua localização com pessoas de confiança, 69% mudam trajetos habituais e 66% chamam carro ou moto por aplicativo para não precisar andar pelas ruas. O mesmo percentual, 66%, afirmam pedir para alguém acompanhá-las quando saem de casa.

Entre outras estratégias, 63% evitam sair com cartão de crédito, 62% utilizam aplicativos com recursos de segurança, 30% andam com um celular reserva, 27% praticam ou já praticaram técnicas de defesa pessoal e 26% carregam itens de proteção pessoal, como spray de pimenta ou alarme pessoal.

As mulheres cobram atuação do poder público

Para as entrevistadas, a prevenção e o enfrentamento da violência no dia a dia são responsabilidades que devem envolver diferentes instituições públicas. As polícias Militar e Civil são apontadas por 73% das mulheres como responsáveis por essa atuação, seguidas pelo Governo Federal (69%), Governo Estadual (69%) e Governo Municipal (66%).

Apesar disso, a avaliação sobre o desempenho das instituições é majoritariamente negativa. A maioria das mulheres avalia negativamente a atuação dos diferentes atores no enfrentamento à violência no dia a dia. 

Entre os piores resultados estão os representantes do Legislativo, com 74% de avaliação negativa, o Governo Estadual (72%), o Poder Judiciário (71%) e o Governo Federal (71%).

Ampliação de canais de denúncia e melhoria das cidades estão entre as principais demandas das mulheres 

As brasileiras também apontam caminhos para enfrentar o problema. 95% consideram importante ampliar os canais de denúncia e apoio às vítimas de violência.

A necessidade de transformar os próprios espaços urbanos também aparece com destaque: 93% consideram importante melhorar a infraestrutura das cidades, incluindo transporte público, iluminação e espaços públicos.

O mesmo percentual considera importante criar e ampliar políticas específicas de proteção às mulheres, com benefícios indiretos também para os homens e para a população em geral, e realizar esforços de prevenção, como medidas de educação e mudança cultural.

Além disso, 92% consideram importante reduzir as desigualdades sociais e econômicas como parte das estratégias de prevenção e enfrentamento da violência.

Segurança das mulheres também pesa na decisão de voto

O tema ultrapassa a esfera das políticas públicas e chega às escolhas eleitorais. Para 78% das mulheres entrevistadas, ter propostas de enfrentamento à violência e ao assédio contra as mulheres nas ruas e no transporte público influenciará sua decisão de voto.

Sobre a pesquisa

Realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, a pesquisa de opinião “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência” ouviu 1.500 pessoas de 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre os dias 22 e 30 de abril de 2026, por meio de entrevistas digitais de autopreenchimento. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.

O apoio à pesquisa faz parte de um compromisso da Uber de colaborar proativamente com o enfrentamento à violência de gênero no Brasil, por meio de iniciativas em parceria com diversas organizações especializadas no tema desde 2018.

Saiba mais sobre a pesquisa