Futebol e violência contra a mulher – 2ª edição (FBSP, 2026)

Instituição/Órgão
Âmbito
Ano

Em dias de jogos, os registros de violência contra mulheres aumentam, especialmente entre as mais jovens e nos casos ocorridos dentro de casa.


Entre 2023 e 2025:

Ameaças 

Os registros de ameaças contra mulheres aumentaram 27% nos dias de jogos.

Lesões corporais

Os registros de lesões corporais dolosas decorrentes de violência doméstica aumentaram 29% nos dias de jogos.

Jovens

Entre meninas e mulheres de 15 a 29 anos, os registros de ameaças e lesões corporais aumentaram 44% nos dias de partidas.

Dentro de casa

47% dos registros de ameaça e 62% dos registros de lesão corporal ocorreram nas residências das vítimas.

Perfil racial

Mulheres negras (pretas e pardas) representam 59% das vítimas de ameaça e 60% das vítimas de lesão corporal. Mulheres brancas correspondem a 41% e 40%, respectivamente.

Aumento por raça

Nos dias de jogos, os registros de ameaça aumentam 15% entre mulheres negras e 31% entre mulheres brancas. Para lesões corporais, o aumento é de 23% entre mulheres negras e 36% entre mulheres brancas.

Ameaças ao longo da semana

Em todos os dias da semana, os registros de ameaça são maiores quando há jogos. A diferença varia de 7,21 registros adicionais às segundas-feiras a 12,84 às quintas-feiras.

Lesões corporais ao longo da semana

Os registros também aumentam nos dias de jogos, com destaque para a sexta-feira, que apresenta 7,05 registros adicionais, e a quarta-feira, com 5,37 registros adicionais.

Efeito maior nesta edição

Em comparação com a primeira edição do estudo, o aumento associado aos dias de jogos passou de 24% para 27% nos registros de ameaça e de 21% para 29% nos registros de lesão corporal.

O que o estudo aponta:

Os resultados não permitem afirmar que o futebol seja a causa da violência contra as mulheres, mas indicam que os dias de jogos podem atuar como catalisadores de dinâmicas de violência já existentes.

Os aumentos não se concentram apenas nos dias da semana que já costumam registrar mais violência. Mesmo em dias com níveis normalmente mais baixos de ocorrências, como a quinta-feira, os registros são maiores quando há jogos de futebol.

A pesquisa ainda evidencia a necessidade de aprofundar a investigação sobre como o contexto dos jogos, a convivência doméstica, o consumo de álcool, as desigualdades raciais e a distribuição do tempo de lazer podem se relacionar com a violência contra meninas e mulheres.

Sobre a pesquisa

A segunda edição do estudo “Futebol e violência contra a mulher”, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e publicado em agosto de 2026, investiga a relação entre dias de jogos de futebol e os registros de violência contra meninas e mulheres. A pesquisa analisou dados de 2023 a 2025, cruzando informações sobre partidas do Campeonato Brasileiro da Série A, da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana com registros de boletins de ocorrência de ameaça e lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica em cinco capitais: Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Os dados foram obtidos por meio de solicitações via Lei de Acesso à Informação (LAI) às Secretarias de Segurança Pública. A base final reuniu 219.595 registros de ameaça e 88.720 registros de lesão corporal contra meninas e mulheres no período analisado.

Saiba mais sobre a pesquisa