Dossiê Mulher 2026 (Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro – ISP, 2026)

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Ano

Panorama estadual da violência contra a mulher

Em 2025, 159.041 meninas e mulheres sofreram algum tipo de violência no estado do Rio de Janeiro. Isso equivale a 436 vítimas por dia, 18 por hora ou 3 vítimas a cada minuto.

O relatório divide a violência em cinco tipos principais (previstos na Lei Maria da Penha). As três mais frequentes respondem por 89,2% dos casos:

  • Violência psicológica (37,6%)
  • Violência física (27,2%)
  • Violência moral (24,4%)
  • Violência sexual (5,5%)
  • Violência patrimonial (5,3%)

Perfil das vítimas

  • 29,8% têm entre 18 e 29 anos.
  • 52,3% são mulheres negras e 45,1%, mulheres brancas.
  • 47,9% são solteiras.
  • 49,7% das agressões ocorrem na própria residência.

Perfil dos agressores

  • Dos autores identificados, 71,5% são homens. No caso de estupro, esse número sobe para 96,3%.
  • A maioria dos autores homens têm entre 30 e 59 anos (57,6%).
  • Tomando como referência o total de vítimas analisadas (159.042), companheiros e ex-companheiros são responsáveis por 44,8% dos episódios. Se inserir pais, padrastos e parentes na contagem, o percentual cobre mais da metade dos registros (57,9%).

Descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência (DMPU)

Em 2025, o estado do Rio de Janeiro registrou 5.870 casos de descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência (DMPU), o maior número da série histórica iniciada em 2018, representando um aumento de 21% em relação a 2024.

Entre 2020 e 2023, os pedidos de Medidas Protetivas de Urgência cresceram 59%, atingindo o pico de 49.856 solicitações. Em 2025, foram registrados 37.671 pedidos, dos quais 34.533 (94%) foram concedidos e 2.012 (6%) negados.

Perfil dos autores:

  • 94,6% dos autores de DMPU são homens.
  • 69,7% têm entre 30 e 59 anos.
  • 46,9% são solteiros.

Em 79,5% dos casos de descumprimento, o autor era companheiro ou ex-companheiro da vítima e os parentes responderam por 11,6% das ocorrências.

Quase metade das ocorrências (48,9%) aconteceu na residência da vítima, seguida pelas vias públicas (15,5%), outros locais (14,6%) e pelo ambiente virtual (7%).

A maior parte dos registros foi realizada em delegacias distritais (63,2%), seguidas pelas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) (36,4%).

Em relação ao período das ocorrências, 47,5% dos casos concentraram-se entre sexta-feira, domingo e segunda-feira. Além disso, o intervalo entre 8h e 10h da manhã reuniu 920 registros (15,7%), sendo o período com maior concentração de descumprimentos.

Territorialmente, o interior do estado concentrou o maior número de registros (2.442 casos; 41,6%), seguido pela capital (1.546; 26,3%) e pela Baixada Fluminense (1.340; 22,8%). Juntas, essas três regiões responderam por 90,8% de todos os casos registrados em 2025.

Violência digital e movimento redpill

Em 2025, o estado do Rio de Janeiro registrou 19.224 casos de violência contra mulheres em ambiente virtual. Em 57,2% dessas ocorrências não havia identificação do autor no momento do registro policial. Entre os autores identificados, 66,2% eram homens, evidenciando o papel do anonimato na disseminação da violência digital.

Cerca de 60% das publicações analisadas utilizaram estatísticas ou supostas pesquisas sem respaldo científico para conferir credibilidade aos discursos misóginos.

Aproximadamente 70% das postagens difundiam a ideia de que apenas integrantes do movimento redpill conhecem a “verdadeira realidade” sobre as mulheres, utilizando essa narrativa para deslegitimar críticas e fortalecer o sentimento de pertencimento ao grupo.

Em 58% das publicações, as relações entre homens e mulheres foram apresentadas como um “mercado”, no qual as mulheres teriam seu valor associado à juventude, aparência, submissão e ausência de filhos, enquanto os homens seriam valorizados por renda, patrimônio, status e poder.

Distribuição dos níveis de violência discursiva

  • 33% das postagens apresentavam conteúdos de desumanização, comparando mulheres a objetos ou mercadorias.
  • 30% continham prescrição negativa, orientando homens a evitar, excluir ou punir mulheres em suas relações.
  • 26% culpabilizavam diretamente mulheres e o feminismo pelos problemas enfrentados pelos homens.
  • 9% continham incitação explícita à violência ou à retirada de direitos das mulheres.
  • 2% das publicações expressavam frustração sem atribuir culpa diretamente às mulheres.

Os dados indicam que 72% do total de crimes contra mulheres no estado do Rio de Janeiro em 2025 tiveram autores do sexo masculino identificados.

Sobre a pesquisa

O Dossiê Mulher 2026 é uma publicação anual do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP), elaborada com base nos registros de ocorrência da Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) referentes a 2025. Em sua 21ª edição, lançada no ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, o relatório tem como tema central a responsabilização dos autores da violência contra as mulheres. Além de reunir e analisar dados sobre diferentes formas de violência de gênero, a publicação apresenta o conceito da Caneta Desmanipuladora, que propõe identificar e desconstruir discursos que naturalizam a violência contra meninas e mulheres. Pela primeira vez, o Dossiê também dedica um capítulo à análise dessas narrativas nas redes sociais, mostrando como elas podem contribuir para a naturalização da violência de gênero, com foco no movimento redpill.

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