Marcas do tempo: gravidez na adolescência e seus impactos na vida de mulheres no Brasil (Plan International Brasil, 2026)

Instituição/Órgão
Âmbito
Ano

Perfil de mulheres brasileiras que tiveram a experiência da gravidez na infância ou na adolescência


Idade:

  • 19 a 24 anos: 26%
  • 25 a 29 anos: 74%

Raça/cor:

  • Branca: 35%
  • Preta, parda, indígena ou amarela: 65%

Região que mora atualmente:

  • Norte: 9%
  • Nordeste: 39%
  • Centro Oeste: 9%
  • Sudeste: 36%
  • Sul: 16%

Área que mora atualmente:

  • Área urbana: 87%
  • Área rural: 11%
  • Comunidade tradicional (quilombola, ribeirinha, indígena, etc): 1%
  • Prefiro não responder: 2%

Educação

Entre as mulheres que tiveram experiência de gravidez na infância ou adolescência e pararam de estudar, 63% interromperam os estudos entre os 15 e 19 anos, e 27% afirmam que a gravidez foi o motivo da interrupção.

Trabalho e renda

83% das mulheres que vivenciaram a gravidez na infância ou adolescência afirmam ter deixado de trabalhar ou perdido oportunidades de emprego devido às responsabilidades familiares, como o cuidado com filhos, parentes e a casa.

Família e apoio 

90% das mulheres entrevistadas que vivenciaram a gravidez na adolescência tinham entre 15 e 19 anos quando passaram pela primeira gestação.

Entre elas, 49% afirmam que a primeira gravidez aconteceu antes do que desejavam, e 34% dizem que não queriam ter filhos naquele momento.

Em relação aos cuidados, 71% das mulheres são as principais responsáveis pelo cuidado diário de seus filhos(as). Para 40% das entrevistadas, essas responsabilidades afetam suas possibilidades de estudar, trabalhar ou descansar.

43% das mulheres afirmam que, na maioria das vezes, podem contar com sua rede de apoio em momentos de dificuldade.

Quando se trata dos serviços públicos, 47% dizem confiar neles apenas em parte quando precisam de apoio ou orientação, como em serviços de saúde, assistência social, polícia ou escola. Outros 27% afirmam confiar pouco nesses serviços.

Sexualidade e direitos reprodutivos

35% das mulheres que passaram pela gravidez na infância ou adolescência afirmam ter recebido, na escola, alguma orientação sobre sexualidade, prevenção da gravidez ou métodos contraceptivos. Por outro lado, 33% dizem nunca ter recebido esse tipo de orientação.

Na família, 43% das entrevistadas afirmam que questões relacionadas a namoro, sexo e contracepção eram ou são conversadas de forma aberta. Já para 32%, esses temas nunca foram abordados.

Embora 84% das brasileiras que vivenciaram a gravidez na infância ou adolescência afirmem saber onde conseguir gratuitamente métodos contraceptivos, como camisinha, pílula e DIU, 32% dizem ter enfrentado, várias vezes, dificuldades para conseguir atendimento de saúde relacionado à sexualidade ou à contracepção por serem adolescentes ou jovens.

Para 34% das mulheres, normas culturais, familiares ou religiosas influenciam muito suas decisões sobre sexualidade e prevenção da gravidez. Além disso, 58% afirmam já ter se sentido pressionadas ou sem liberdade para recusar uma relação sexual, enquanto 66% relatam já ter passado por alguma situação em que se sentiram desrespeitadas, ameaçadas ou agredidas por alguém em uma relação afetiva.

Entre as mulheres que passaram por essas situações, 36% afirmam não ter procurado nem recebido qualquer tipo de apoio, seja de familiares, amigos, profissionais de saúde, polícia ou serviços públicos.

Quando se trata do conhecimento sobre o direito à interrupção da gravidez nos casos previstos em lei, como em situações de estupro ou risco de vida para a gestante, 47% das entrevistadas que engravidaram na infância ou adolescência afirmam conhecer bem seus direitos. Outros 39% dizem já ter ouvido falar sobre o assunto, mas não saber exatamente em quais situações a interrupção é permitida.

Entre as brasileiras que vivenciaram uma gravidez na infância, antes dos 14 anos, 50% afirmam que o serviço de saúde não ofereceu a possibilidade de interrupção da gestação.

Por fim, 36% das mulheres que tiveram uma gravidez na infância ou adolescência afirmam não ter tido liberdade para decidir se queriam ou não engravidar. Além disso, 73% dizem já ter se sentido, várias vezes, julgadas, discriminadas ou tratadas de forma diferente por estarem grávidas ou serem mães jovens.

Sobre a pesquisa

O estudo “Marcas do tempo: gravidez na adolescência e seus impactos na vida de mulheres no Brasil”, realizado pela Plan International Brasil, investigou como a experiência da gravidez precoce influencia as trajetórias de vida de mulheres jovens em diferentes dimensões, como educação, trabalho, renda, saúde, autonomia e garantia de direitos. O levantamento reúne evidências quantitativas e qualitativas coletadas em todas as regiões do país e ouviu 1.500 mulheres entre 19 e 29 anos e 50 entrevistas em profundidade. Para comparar as trajetórias de jovens que passaram ou não pela experiência da gravidez na infância ou adolescência, foram utilizadas técnicas de inferência causal, como o pareamento.

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