Mulheres e mobilidade noturna: percepções sobre (in)segurança nos momentos de lazer (Instituto Patrícia Galvão/Locomotiva, 2025)
- Instituição/Órgão
- Instituto Locomotiva / Instituto Patrícia Galvão
- Âmbito
- nacional
- Ano
- 2025
A violência contra mulheres que saem à noite ocorre em todas as formas de deslocamento, especialmente quando estão a pé e no ônibus. Por insegurança, 63% das mulheres já desistiram de sair para lazer à noite.
Nova pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, realizada com apoio da Uber, evidencia um padrão alarmante: a maioria das entrevistadas relata ter enfrentado situações de violência – de cantadas inconvenientes a assédio, importunação sexual e até estupro – durante seus deslocamentos para atividades de lazer à noite em todas as formas, principalmente quando estão a pé e no ônibus.
Das mulheres que saem à noite para se divertir, 98% declaram sentir medo e 9 em cada 10 já passaram por alguma dessas situações de violência nos seus deslocamentos noturnos, independentemente do meio de transporte.

A violência contra mulheres que saem à noite ocorre mais quando estão a pé e no ônibus

Da mesma forma, a maioria das mulheres que presenciaram situações de assédio, violência ou preconceito contra outra mulher, ou que prestaram auxílio à vítima, estava a pé ou no transporte público.
8 em cada 10 mulheres que saem à noite para lazer sentem medo

Neste estudo, “atividades de lazer noturno” são ocasiões como ir a bares, restaurantes, festas, baladas, shows, festivais, peças de teatro e outros eventos durante a noite. Somente 21% das mulheres entrevistadas declararam não sentir medo quando saem à noite para lazer. E, enquanto 63% afirmam sentir um pouco de medo, 16% afirmam ter muito medo – entre as mulheres pretas esse número aumenta para 20%.
E o medo aumenta na hora da volta para casa: 35% das mulheres que saem à noite para lazer consideram mais inseguro o momento da volta para casa; entre as jovens de 18 a 34 anos esse número chega a 42%.
94% das mulheres que saem à noite para lazer preferem sair acompanhadas
Quando se deslocam nesses trajetos para lazer noturno, as mulheres costumam estar acompanhadas, sobretudo por parceiros (53%), membros da família (39%) e amigos/as (35%), enquanto apenas 6% circulam sozinhas.





98% das mulheres sentem medo quando se deslocam para o lazer noturno


Por medo, 99% das mulheres adotam a medidas individuais de segurança quando circulam à noite
Na tentativa de reduzir o risco da violência, as mulheres recorrem a estratégias que resultam em restrições à sua liberdade de circulação.

Avisar para pessoas de confiança onde e/ou a que horas deve voltar é a medida mais adotada pelas mulheres que saem à noite para lazer por medo ou insegurança.
Maioria avalia como importantes os recursos de segurança disponíveis no transporte por aplicativo
Para as mulheres que saem à noite para lazer, recursos de segurança nos apps de transporte são indispensáveis: do botão de emergência ao compartilhamento de rota, quase todos são vistos como muito importantes.
Ausência de policiamento é o principal fator de insegurança percebido e, com ele, compõem a tríade do medo: ruas desertas e a falta de iluminação pública
As mulheres que saem à noite para lazer relacionam a insegurança nos deslocamentos noturnos principalmente a falhas estruturais.

E quando a mulher chega ao estabelecimento ou lugar de lazer que frequenta à noite?

6 em cada 10 mulheres que passaram por alguma situação de constrangimento, assédio ou violência foram acolhidas no estabelecimento ou lugar de lazer que frequenta

Mulheres também demandam e valorizam ações dos estabelecimentos de lazer noturno
Protocolos de atendimento em estabelecimentos frequentados à noite são muito valorizados pela maioria das mulheres que saem à noite para lazer.


Sobre a pesquisa
Realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, a pesquisa de opinião Mulheres e mobilidade noturna: percepções sobre (in)segurança nos momentos de lazer teve apoio da Uber e contou com a participação de 1.200 mulheres de 18 a 59 anos, que saem à noite para atividades de lazer pelo menos 2 vezes por mês. O levantamento online foi realizado no período de 9 a 24 de setembro de 2025 e a pesquisa tem margem de erro de 2,8 pontos porcentuais.
O apoio à pesquisa faz parte de um compromisso da Uber de colaborar proativamente com o enfrentamento à violência de gênero no Brasil, por meio de iniciativas em parceria com diversas organizações especializadas no tema desde 2018.